

Meu mísero castelinho ficou na chón.
Vencedor do Festival de Gramado, com uma interpretação visceral e estonteante (e premiada!) da incrível Leandra Leal, Nome Próprio é o novo longa metragem de Murilo Salles. Mais que visto, este filme deve ser mastigado e digerido lentamente. Cada texto confessional de Clarah Averbuck (escritora do livro A Máquina de Pinball, que originou o filme) brota do íntimo da personagem Camila, ou corre pelas telas, com uma intensidade no mínimo asfixiante.


Miedo
[Pedro Guerra/Lenine/Robney Assis]
"Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienen miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que da miedo del miedo que da
Tienen miedo de subir y miedo de bajar
Tienen miedo de la noche y miedo del azul
Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar
Miedo que da miedo del miedo que da
El miedo es una sombra que el temor no esquiva
El miedo es una trampa que atrapó al amor
El miedo es la palanca que apagó la vida
El miedo es una grieta que agrandó el dolor
Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir
Medo que dá medo do medo que dá
Tenho medo de acender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Medo que dá medo do medo que dá
O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar
Tienen miedo de reir y miedo de llorar
Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser
Tienen miedo de decir y miedo de escuchar
Miedo que da miedo del miedo que da
Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar
Medo que dá medo do medo que dá
O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor
O medo é uma chave, que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor
El miedo es una raya que separa el mundo
El miedo es una casa donde nadie va
El miedo es como un lazo que se apierta en nudo
El miedo es una fuerza que me impide andar
Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo
Medo estampado na cara ou escondido no porão
O medo circulando nas veias
Ou em rota de colisão
O medo é do Deus ou do demo
É ordem ou é confusão
O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão
Medo de fechar a cara
Medo de encarar
Medo de calar a boca
Medo de escutar
Medo de passar a perna
Medo de cair
Medo de fazer de conta
Medo de dormir
Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez
Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo... que dá medo do medo que dá
Medo... que dá medo do medo que dá"
"O sono pode ser música para qualquer dança e fazemos crianças toda vez que nos olhamos. Você sopra sussurros tristes, numa voz cansada, tudo cansando e meu abraço te enlaça. Você fica aí cheia de sede de vida e eu cheio de tempo pra te fazer voar, tanto tempo tenho para te fazer gritar, sorrir, gemer, sei lá. Faltava pouco para colocar aliança no seu dedo, subir no cavalo e te fazer minha noiva.
Minha mulher não chore nunca quando estiver sozinha, lembre-se que a gente podia ter tido o mundo, mas você rasgou minhas poesias no meio, freou com todos os seus receios e na nossa inexperiência absoluta, canina, cretina e burra, deixou nós dois assim, feito noite e alvorada, feito calor e lágrima, suor e frio. Nós dois tínhamos o mundo, sexo oral e outras alegrias, tínhamos até o que não era orgia, o que era prematuro, suave, comum. Nós tínhamos ventos estelares, gozos cavalares, danças engraçadas e uma calçada inteira de músicas nossas, músicas que não eram nossas, mas eram.
Você experimentou minha língua, meu beijo com gosto de cereja, fez mousse de morango para me fazer feliz e deixou em mim todas as cicatrizes que seriam carinhos se não fosse o vazio, seriam felicidades se não fossem cortantes. Enlata todas as minhas palavras pra você e queime tudo, fuja do meu mundo, cante alto, grite alto, fale alto até não ter mais voz.
Primavera deixe eu dormir antes da dor de dente, e não me faça mais uma vez me sentir deprimente, só porque nunca mais vou parar de te amar. E vou."
Deficiente
"É aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono de seu destino." (Mário Quintana)
Louco
"Que perdeu a razão; alienado, doido, demente: Que está fora de si; contrário à razão ou ao bom senso; insensato: Dominado por paixão intensa; apaixonado, perdido: Que se porta de maneira pouco sensata, inconveniente; esquisito, excêntrico: Imprudente, imoderado, temerário: Estróina, extravagante, doidivanas: Travesso, brincalhão, folgazão. Fora do comum; incomum, enorme, extraordinário: Diz-se daquilo que revela loucura: Indivíduo louco" (Dicionário Aurélio)
"É quem não procura ser feliz com o que possui." (Mário Quintana)
Cego
" Privado da vista. Alucinado, transtornado; obcecado: Que impede a reflexão, o raciocínio; que perturba o julgamento, oblitera a razão: Total, absoluto; irrestrito:" (Dicionário Aurélio)
"É aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores." (Mário Quintana)
Surdo
"É aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês." (Mário Quintana)
Mudo
"Impossibilitado de falar; privado do uso de palavra por defeito orgânico."É aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia." (Mário Quintana)
Paralítico
"Que ou aquele que sofre de paralisia. Perdeu a função motora em determinada parte do corpo. Perdeu a função sensorial." (Dicionário Aurélio)"É quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda." (Mário Quintana)
Diabético
"Diz-se de, ou aquele que sofre de diabetes, esp. de diabetes melito. Aquele que sofre de síndrome caracterizada por uma eliminação exagerada e permanente de urina. Quem sofre distúrbio metabólico consequente a baixa produção de hormônio antiurético, e caracterizado por polidipsia, poliúria, e, muitas vezes, grande apetite e perda de força; diabetes insípida." (Dicionário Aurélio)"É quem não consegue ser doce." (Mário Quintana)
Ah, o mundo sem os poetas... não sei não...
* Suspiro*



Eu nunca tive paciência pra sessões de embelezamento. Só de pensar em passar mais de 40 minutos em um salão, já me dava calafrios. Ouvir pessoas falando sobre a novela, como se estivessem discutindo o fim trágico de um ente querido, me dava nós horrendos no estômago. E quando o tema é celebridades - cometas ou não, não há distinção - e o povo chora junto, ri junto, toma partido e entra em depressão profunda (e coletiva!) pelo galã? Tortura crudelíssima!




