Foto do blog: Mario Lamoglia

terça-feira, 15 de junho de 2010

Pontual*


E dentre maus tratos e destratos, fez-se um silêncio cortês. Brotou da estrutura doce do teu fel um mantra de paz. Talvez nem me queira mais, e eu ainda aqui, desarmando meu peito-armadilha fissurado em emboscadas.
Não é de hoje que me corrompe as idéias o teu caso obstinado com o vento. Sempre soube que tuas asas flanam onde meus braços não alcançam. Sequer tenho braços, quando teu calor aquece meu frio. Sequer tenho a mim.
Com ares de dama da noite, que só presenteia com sua beleza e suspiro em hora marcada, me frequenta quando convém. E o pior de tudo é que me contenta o sutil detalhe do minúsculo tempo que me oferta já partindo.
Você parte sempre.
E me reparte - poema insosso.

Sylvia Araujo



* Texto republicado

PS: Essa novela do computador pifado já está se estendendo mais tempo do que eu gostaria de tolerar, mas como não tem jeito, sempre que posso posto novidades, vez ou outra republico alguma coisa e quando dá, dou uma voada pelas letras de vocês. Rezem-orem-peçam-qualquercoisa-pelamordedeus, pra que esse nó desate logo e eu possa, feliz, voltar a escrever. Porque do ponto que eu tô adiante, já deixa de latejar pra começar a doer.
Beijocas enormes

17 comentários:

Lara Amaral disse...

A Dama da Noite é linda. E sua metáfora, idem.

Sempre bom te ler.

Beijo.

mais amor, por favor. disse...

Republicado, mas lindo.

"Talvez nem me queira mais, e eu ainda aqui, desarmando meu peito-armadilha fissurado em emboscadas."

Sei como é. Beijo grande!

Leo disse...

Já vivi tu que está escrito neste texto, dói demais, mas vamos seguindo, né?

Márcia Cristina Lio Magalhães disse...

Adorei o texto!!

Sua ausência, sinto...

beijokas,

Priscila Rôde disse...

"Você parte sempre.
E me reparte - poema insosso."

Um deleite Sylvia!
Amei!

HM disse...

Gostei!!
"você parte sempre..." partidas e fragmentações, a ambiguidade poe´tica do verbo, da ação, do lamento, da sofreguidão do mais, que fica menor.
Abraços!!

Valéria Gomes disse...

Já, nesse momento, meu estoque de boas energias está esgotado. Enviei tudo para ti. Agora é só esperar que vai.
Texto muito, muito bom!!!

Beijos de passarinho!!!

Zélia Guardiano disse...

Lindo texto, Sylvia! Lindo mesmo!
Quanto à questão do pc pifado, sou campeã... Ninguém sofre mais com ocomputador, do que eu...Costumo dizer que o meu é movido a lenha...rs... Af!!!
Grande , enorme abraço!

oquemeinferniza disse...

é bom encontrar a riqueza dos seus textos sempre que venho aqui... Sobre o computador, espero que volte logo. Estou com o mesmo problema com o meu...

Beijo Beijo

Líria

Daniel Moraes disse...

Poema com sofreguidão... Um solidão doída e abandonada. Tem Euclides no Sub Mundos. Bjus.

http://submundosemmim.blogspot.com

Juan Moravagine Carneiro disse...

é sempre um prazer adentrar em seu espaço

belo escrito

abraço

Renata Luciana disse...

ai meu santo! deixa a Syl sentir nadinha não, receita pra ela uns posts, computador arrumadinho, e esse tantinho de palavra boa que perfuma os ares virtuais.

em novena,até vc voltar.

bjinho flor,

Jorge Pimenta disse...

o computador pode ser o maior engulho criativo, mas oferece um lado muito positivo: conhecer alguns dos textos republicados que perdi por te seguir há menos tempo do que o acaso deveria ter permitido.
um beijinho!

Moni. disse...

Ler isso aqui e ainda ganhar uma cereja por dizer o quanto isso é inteiro e verdadeiro?
Presente demais...

O nosso querer tão grande e generoso, que aceita de bom grado qualquer movimento que transmita alegria. Ainda que pequeno. Perdemo-nos no tempo...

Lindo, lindo, Sylvia...

Saudades daqui também, querida!

Beijo, beijo!

Ivan Bueno disse...

Sylvia,
Que belo texto, gostoso, fluente e de significados e significantes que não se apreende de uma só vez, em uma só leitura.
Adorei a frase "Sequer tenho braços, quando teu calor aquece meu frio. Sequer tenho a mim."
Tamanha entrega é mesmo como dama-da-noite, que só se abre em alma com hora (de)marcada.
Tenho lindas fotos de damas-da-noite tiradas há dois anos atrás, aproximadamente, na casa de uma tia. Fui para lá exclusivamente para isto e fui fotografando as etapas do abrir, do ápice e, depois, do fechar. Ainda não tinha a câmera que tenho hoje, mas ficaram relativamente boas.
Delicioso texto.
Beijo grande,

Ivan Bueno
blog: Empirismo Vernacular
www.eng-ivanbueno.blogspot.com

Luciana Marinho disse...

ah... que texto lindo! lindo!
"aquela que ama o vento"

beijoca!

mary disse...

"Sempre soube que tuas asas flanam onde meus braços não alcançam. Sequer tenho braços, quando teu calor aquece meu frio. Sequer tenho a mim."

Eu me vi nessas linhas.
Inteira.Abundante-mente.

Que achado esse seu blog! Encanto-me a cada linha.

Um beijo,
Mary Pereira
www.fotografandopensamentos.blogspot.com