
Outoneço. Desverdeada, busco insana um porto onde espreguiçar o olhar - esse olhar que hoje me esparrama tristezas que até as palavras ir-reconhecem. De dentro, vem em golfos lava fervente que me escorre, abrupta. É súbita a destemperança que reveste de escureza esse tão cheio vazio que me carcome as tripas: é urgente o nada a dizer. Portanto, nada digo para que não se gaste o gesto - escoo em tortuoso e duro poema cru, o medo. Sozinho-me em desbotados instantes meus e anoiteço letra - ela há de empacotar com cuidado os miúdos haveres, há de dar fim ao que não se presta a ser sol. No espelho trincado, aquela mesma conhecida imagem nuveada, cinza. Na ponta dos dedos, a desesperada poderosa transpiração dolorida dos enlouquecidos de amor. Ajeito, então, uma vaidade qualquer no corpo ainda rígido e sigo. Porque, do coração, já me escapuliram há tempos as rédeas das mãos.
Sylvia Araujo
5 comentários:
lindo.
doído, mas lindo.
beijo.
bonito!
Sylvia, que saudades eu estava de ti, guria! andei um pouco sumida, às vezes acontece quando me perco por dentro e cá fora não há nada que me chame de volta...rs
sempre bom demais te ler, Esse poema é lindo, outonal, de coração perdendo as folhas.
um beijo enorme
Quem se atreve a querer segurar-se dos ventos do outono?
Lindo, querida...
saudades daqui!
beijo, beijo!
Moni
Outoneço e enterneço ao ler as suas palavras!
Que os bons ventos tragam novas brisas que toquem o seu coração.
Gostei muito do seu blog...
Um abraço carinhoso
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