Foto do blog: Mario Lamoglia

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Pontual

E dentre maus tratos e destratos, fez-se um silêncio cortês. Brotou da estrutura doce do teu fel um mantra de paz. Talvez nem me queira mais, e eu ainda aqui, desarmando meu peito-armadilha fissurado em emboscadas.
Não é de hoje que me corrompe as idéias o teu caso obstinado com o vento. Sempre soube que tuas asas flanam onde meus braços não alcançam. Sequer tenho braços, quando teu calor aquece meu frio. Sequer tenho a mim.
Com ares de dama da noite, que só presenteia com sua beleza e suspiro em hora marcada, me frequenta quando convém. E o pior de tudo é que me contenta o sutil detalhe do minúsculo tempo que me oferta já partindo.
Você parte sempre.
E me reparte - poema insosso.
Sylvia Araujo

4 comentários:

Priscila Rôde disse...

Intenso..
"Sequer tenho a mim."

Gostei, muuuuito!
Fiquei um pouco sem palavras!

Bom final de semana!
Beijos.

Patrícia Lara disse...

Olá, Sylvia!

Encontrei seu blog por acaso e gostei demais! Um belo achado, sem dúvida!

Adorei a forma como vc escreve, como trabalha a linguagem, as metáforas... lindo demais!

Voltarei mais vezes para beber do teu poetar.

Um abraço e linda semana pra vc.
Patrícia Lara

Palavra lida disse...

Inssossa sou eu! Você é maravilhosa, querida!

Sylvia Araujo disse...

Oi, Pri, obrigada pelo carinho de sempre, viu? Tô te devendo umas visitas!


Olá, Patrícia!
Que bom que nos encontramos! Dei uma olhada rápida no teu blog e logo, logo, vou estar lendo mais por lá. Obrigada pelo carinho e volte sempre, a casa é sua!


Marlinda da minha vida...
Entramos então em um consenso: o poema é insosso e nós, ma-ra-vi-lho-sas! hahahaha
Te amooooooooo